11 de março de 2009

Comércio da Quinta do Morcego







Segunda-feira, pela hora da procura do almoço, mas o local existe em todo o seu lúgubre esplendor todos os dias a funcionar. É bem central, junto a muitas amenidades, tem muita circulação de clientes e potenciais clientes, os preços são de arromba, as oportunidades inúmeras: louças, algodões, calçado, perfumes, DVD...
Situado nas imediações de uma antiga fábrica de processamento de mármores, delicia o mais indefectível disciplo do género "gore" vital.
Nas traseiras o guarda do evento goza de todas as qualidades da vida ao ar livre. Os restos lança-os às malvas. Portimão no seu melhor.

"DESGRAÇA é variada. O infortúnio da terra é multiforme. Estendendo-se pelo vasto horizonte, como o arco-íris, suas cores são como as deste, variadas, distintas e, contudo, intimamente misturadas. Estendendo-se pelo vasto hori-zonte, como o arco-íris! Como é que, da beleza, derivei eu um exemplo de feiúra? Da aliança da paz, um símile de tristeza? Mas é que, assim como na ética o mal é uma conseqüência do bem, igual-mente, na realidade, da alegria nasce a tristeza. Ou a lembrança da felicidade passada é a angústia de hoje, ou as agonias que existem agora têm sua origem nos êxtases que podiam ter existido. "

Edgar Allan Poe

7 de março de 2009

Caído do céu






Em redor do aeródromo (talvez de qualquer um) há um fartote de despejos, porcarias, destrochos e afins. Algum deste material até está identificado e tudo: Penina golf.
Não terão as câmaras e as autoridades um papel fundamental em fazer com que os sítios sejam decentes e apresentáveis?
A 100 metros daqui lá estava o catering a ser preparado para os ilustres saltadores. O que vale é que eles estão habituados a controlar as indigestões.
C'UM CACETE!

Jesus here fails

É o Algarve, mas podia ser outro sítio qualquer.

Mais do que reflectir sobre as diferenças civilizacionais, interessa-nos a procura de elementos neutralizantes entre as paisagens urbanas, numa contínua observação sobre questões de desenraizamento e identidade.

Recusando as tentações da excentricidade ou do voyeurismo turístico, e sobretudo rejeitando uma visão saudosista, tentamos captar uma não-espectacularidade que, pela sua própria natureza, confronta o espectador.

Pessoas, animais e lugares encontram-se aqui de certo modo em trânsito, num estado intermédio, indeterminado e incatalogável, numa “dimensão abstracta e universal”.

Por agora estamos no Algarve, mas podíamos já estar noutro sítio qualquer.


(p.s - parafraseando os imensamente interessentes textos da exposição «Jesus Never Fails»
de António Júlio Duarte)

Mamarracho @ Monchique





Em Portugal, reconhecer um erro significa fraqueza.

É algo que ninguém faz, mesmo quando se demonstra irrefutavelmente que se está errado.

A negação do erro, ainda que muito óbvio, está entranhada na alma portuguesa.

Então, se não aprendemos com os nossos erros porque não queremos ser fracos, porque não continuar a fazer sempre os mesmos erros e a mostrar ao mundo o quão forte é a nossa fraqueza?

5 de março de 2009

Regabofe sempre a abrir





A Ordem dos Arquitectos criou um colégio da especialidade de urbanismo. Este passo pode vir a ser da máxima importância no combate ao actual regabofe que são as políticas (se lhes podemos chamar isso...) de urbanismo, planeamento e ordenamento.
A necessidade de saber quem são, quantos são, com que regras trabalham e que ética têm os urbanistas é pelo menos equiparável ao contributo que a Ordem e este colégio podem dar no fim do actual regime de urbanismo anónimo que manda nas cidades portuguesas.
Um dos maiores crimes que se estão a cometer contra este País – e que anda de braço dado com a corrupção – é exactamente a ausência de paternidade clara nos milhares de processos de edificabilidade em zonas de reserva agrícola ou ambiental, alterações cirúrgicas de planos directores municipais e todo o tipo de malfeitoria que diariamente destrói este País.
Os impulsos governamentais nesta matéria são habitualmente complexos ou deliberadamente confusos para subverter uma das regras essenciais do Direito e beneficiar interesses particulares com a aparência de uma aplicação geral e abstracta. Por isso, ao menos que o sobressalto cívico não morra no meio da anemia geral que vivemos e venha alguém que aumente a capacidade colectiva de denúncia.

Eduardo Dâmaso, Director-adjunto do CM

Um tipo até se podia exaltar e começar a gritar que quer espaços verdes a sério como jardims amplos com árvores de boas sombras, bancos para descansar, caminhos para passear e andar de bicicleta, jardins odorosos e floridos, etc. Que o território devia estar mais limpo e ordenado, que o dinheiro não é tudo, são precisas as pessoas (com consciência ambiental) para dar vida e sentido à natureza. BOF! Isto assim é que é fixe, viva a liberdade essa coisa rota. Venda-se, venda-se. A alma.

3 de março de 2009

Campanha de preenchimento








Centenas de milhares de outdoors em estado calamitoso à espera de megapublicidades. Vá lá que o turismo de Portugal essa entidade empenhada em mostrar um país impoluto, ordenado, jeitoso e bonito, abriu os cordões à bolsa e bumba! iluminaram este cantinho das luminárias com imagens de sonho e maravilha.

Rincophorus dizima em toda a linha



Ninguém segura o bicho: nem os empreiteiros (promotores imobiliários), nem os monopolistas da PT (piti phone home), nem os Ministérios misteriosos, muito menos os indivíduos vulgares chamados de cidadãos comuns. As medidas profiláticas que se danem. Estas canariensis portimonensis com praí 1 século vão-se em menos de um fósforo. "Ora os palmeirames também é só fogo de vista!" disse dona Júlia Baptista para os repórteres da portiTV .
Pensa-se que as larvas do bicho até são comestíveis e por sinal muito saborosas - etno-gourmet.