8 de novembro de 2009

Aqua Portimão






 
 
 
 
 
 
Aquela água costumava estar nos poços das hortas ali próximas, pois fizeram o buraco mesmo num dos aquiferos mais importantes da zona. Arrebentam com tudo em Portimão, até com a água.

3 de novembro de 2009

Admirável mundo bacoco


Sob pena de armar uma escandaleira por chamar bacoquismo quistico ao estado da construção, nomeadamente em Portimão, terra abençoada de promessas faraónicas e/ou biblicas, lanço ao mesmo tempo (nesta fogueira sem chama) esta série de fotos tiradas na rua de trás da Av. Tomás Cabreira, na Rocha. Quem deita mão a esta vergonha de fazer parecer outra coisa que não o desvario, o mau gosto, a hiper construção envolta em progresso e corrupção, de ontem mas também de hoje? Obrigado Portimão! - diz o edil todo ufano em transformar a cidade num paraíso infernal.
Apetece dizer foda-se mas não digo.

http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com/

2 de novembro de 2009

Açoteias


Açoitadas pela inexorável voracidade do tempo? Não. Pela incúria inaceitável da portugalidade.

Tirado de:
http://adefesadefaro.blogspot.com/2009/11/aldeia-das-acoteias.html

1 de novembro de 2009

Silêncio do olhar



Nunca dizer nada sobre a dor ou a incerteza. Falar das imensas alegrias, das presenças serenas e compreenssivas, das amostras de gente sempre acarinhadas nas suas pequeníssimas loucuras, do entusiasmo sempre alimentado, renovado, engrandecedor. Crianças e pais, desmandos e progressões, dramas e exultações, maravilhas e amarguras. Experiências e convicções, partilha e desenrrasque. Tudo modelado a amor e carinho. A crise não existe, sejamos fortes. Felizmente há luar.

http://blog.uncovering.org/

Pedras no sapato



Eu falo das casas e dos homens, dos vivos e dos mortos:
do que passa e não volta nunca mais...

Não me venham dizer que estava materialmente
previsto, ah, não me venham com teorias!

Eu vejo a desolação e a fome, as angústias sem nome,
os pavores marcados para sempre nas faces trágicas
das vítimas.

E sei que vejo, sei que imagino apenas uma ínfima,
uma insignificante parcela da tragédia.
Eu, se visse, não acreditava.
Se visse, dava em louco ou profeta,
dava em chefe de bandidos, em salteador de estrada,
- mas não acreditava!

Olho os homens, as casas e os bichos.
Olho num pasmo sem limites,
e fico sem palavras, na dor de serem homens que fizeram tudo isto:
esta pasta ensanguentada a que reduziram a terra inteira,
esta lama de sangue e alma, de coisa a ser,
e pergunto numa angústia se ainda haverá alguma esperança,
se o ódio sequer servirá para alguma coisa...

Deixai-me chorar - e chorai!
As lágrimas lavarão ao menos a vergonha de estarmos vivos,
de termos sancionado com o nosso silêncio o crime feito instituição
e enquanto chorarmos talvez julguemos nosso o drama,
por momentos será nosso um pouco do sofrimento alheio,
por um segundo seremos os mortos e os torturados,
os aleijados para toda a vida, os loucos e os encarcerados,
seremos a terra podre de tanto cadáver,
seremos o sangue das árvores,
o ventre doloroso das casas saqueadas,
- sim, por um momento seremos a dor de tudo isto...

Eu não sei porque me caem as lágrimas,
porque tremo e que arrepio corre dentro de mim,
eu que não tenho parentes nem amigos na guerra,
eu que sou estrangeiro diante de tudo isto,
eu que estou na minha casa sossegada,
eu que não tenho guerra à porta,
- eu porque tremo e soluço?

Quem chora em mim, dizei - quem chora em nós?

Tudo aqui vai como um rio farto de conhecer os seus meandros:
as ruas são ruas com gente e automóveis,
não há sereias a gritar pavores irreprimíveis,
e a miséria é a mesma miséria que já havia...

E se tudo é igual aos dias antigos,
apesar da Europa à nossa volta, exangue e mártir,
eu pergunto se não estaremos a sonhar que somos gente,
sem irmãos nem consciência, aqui enterrados vivos,
sem nada senão lágrimas que vêm tarde, e uma noite à volta,
uma noite em que nunca chega o alvor da madrugada...

28 de outubro de 2009

verboten


Cá está ele todo contraído, tenso, em formato LP no meio das velharias. Veio de um antigo aviador da Luftwaffe que se radicou na província da amêndoa e do figo e trouxe as suas relíquias mais profundas. Aqui tudo é permitido.

26 de outubro de 2009

As palmeiras do Gil Eanes


Estão a morrer em catadupa. Menos trabalho dão quando se tiver que remover aquilo para dar lugar a um novo e luxuoso jardim.
O agravamento e existência desta praga devastadora em espécies de palmeiras tipo “Canárias, e tamareiras” por um insecto de cor vermelha roedor que se desenvolve no interior do tronco alimentando-se da coroa da palmeira de grande interesse ornamental como históricas. O nome técnico Rhynchophorus ferrugineus que apenas escolhe palmeiras ou exemplares adultos para se alojar e em poucos dias pode dizimar determinadas espécies da sua zona. Localizado nos Concelhos da totalidade do Algarve com a principal incidência em Albufeira, Portimão, Lagos e Loulé tendo sido originário do norte de Africa por importação descontrolada de palmeiras que acabou por se desenvolver e provocar danos em Espanha e Portugal. O nosso país não possui estudos suficientes há data (apesar de esta praga ter dado inicio em Portugal mais ou menos à 10 anos) para informar e actuar tendo estes últimos dez anos ficado inoperacionais face à existência deste mal.

Evil comes in many ways