http://www.acidi.gov.pt/modules.php?name=News&file=article&sid=2730
Sossegados e impenetráveis, quase invisíveis quando deslizam pela cidade, com eles fomo-nos cruzando assiduamente, primeiro nas mesas dos restaurantes, depois dentro das suas lojas atafulhadas de coisas. Habituámo-nos à sua presença dentro do mundo do trabalho. O resto é mistério. A maioria mal soletra o português. Mas para o nível da nossa comunicação tanto faz: "Quanto, custa?". "É o prato 23". "Caril de lulas? Happy family?"
http://aeiou.expresso.pt/como-vivem-os-adolescentes-chineses-em-portugal=f564646
24 de abril de 2010
19 de abril de 2010
Escarros obliquooos
Oh inclemência oh martirio! cá estão mais umas postas de pescada menos que zero que fazem as (des)honras desta república de bananos à beira mar escancarada. Arquitectos temos muitos e bons. Escarros anatómicos temos ainda mais. Patos bravos florescem mais depressa que uma falsa pandemia. Resorts PIN -UP na órbita dos futebóis e investimentos obscuros, tudo com alto grau de ilibação. Património kaganisso, urbanismo meteonuko, ordem e progresso bardamerda. Só bons exemplos. Forca (ou guilhotina) Portugal.
http://asgrandesaberracoes.blogs.sapo.pt/
http://asgrandesaberracoes.blogs.sapo.pt/
14 de abril de 2010
PRIMEIRA ELEGIA (backwards)
Quem se eu gritasse, me ouviria pois entre as ordens
Dos anjos? E dado mesmo que me tomasse
Um deles de repente em seu coração, eu sucumbiria
Ante sua existência mais forte. Pois o belo não é
Senão o início do terrível, que já a custo suportamos,
E o admiramos tanto porque ele tranqüilamente desdenha
Destruir-nos. Cada anjo é terrível.
E assim me contenho pois, e reprimo o apelo
De obscuro soluço. Ah! A quem podemos
Recorrer então? Nem aos anjos nem aos homens,
E os animais sagazes logo percebem
Que não estamos muito seguros
No mundo interpretado. Resta-nos talvez
Alguma árvore na encosta que diariamente
Possamos rever. Resta-nos a rua de ontem
E a mimada fidelidade de um hábito,
Que se compraz conosco e assim fica e não nos abandona.
Ó e a noite, a noite, quando o vento cheio dos espaços
Do mundo desgasta-nos o rosto -, para quem ela não é /sempre a desejada,
Levemente decepcionante, que para o solitário coração
Se impõe penosamente. Ela é mais leve para os amantes?
Ah! Eles escondem apenas um com o outro a própria sorte.
Não o sabes ainda? Atira dos braços o vazio
Para os espaços que respiramos; talvez que os pássaros
Sintam o ar mais vasto num vôo mais íntimo.
Sim, as primaveras precisavam de ti.Muitas estrelas
Esperavam que tu as percebesses. Do passado
Erguia-se uma vaga aproximando-se, ou
Ao passares sob uma janela aberta,
Um violino se entregava. Tudo isso era missão.
Mas a levaste ao fim? Não estavas sempre
Distraído pela espera, como se tudo te ansiasse
A bem amada? (onde queres abrigá-la
Então, se os grandes e estranhos pensamentos entram
E saem em ti e muitas vezes ficam pela noite.)
Se a nostalgia te dominar, porém, cantas as amantes; muito
Ainda falta para ser bastante imortal seu celebrado sentimento.
Aquelas que tu quase invejaste, as desprezadas, que tu
Achaste muito mais amorosas que as apaziguadas. Começa
Sempre de novo o louvor jamais acessível;
Pensa: o herói se conserva, mesmo a queda lhe foi
Apenas um pretexto para ser : o seu derradeiro nascimento.
As amantes, porém, a natureza exausta as toma
Novamente em si, como se não houvesse duas vezes forças para realizá-las.
Já pensaste pois em Gaspara Stampa
O bastante para que alguma jovem,
A quem o amante abandonou, diante do elevado exemplo
Dessa apaixonada, sinta o desejo de tornar-se como ela?
Essas velhíssimas dores afinal não se devem tornar
Mais fecundas para nós? Não é tempo de nos libertarmos,
Amando, do objeto amado e a ele tremendo resistirmos Como a flecha suporta à corda, para, concentrando-se no salto Ser mais do que ela mesma?
Pois parada não há em /parte alguma.
Vozes, vozes.Escuta, coração como outrora somente
os santos escutavam: até que o gigantesco apelo
levantava-os do chão; mas eles continuavam ajoelhados,
inabaláveis, sem desviarem a atenção:
eles assim escutavam. Não que tu pudesses suportar
a voz de Deus, de modo algum. Mas escuta o sopro,
a incessante mensagem que nasce do silêncio.
Daqueles jovens mortos sobe agora um murmúrio em direção /a ti.
Onde quer que penetraste, nas igrejas
De Roma ou de Nápoles, seu destino não falou a ti, /tranqüilamente?
Ou uma augusta inscrição não se impôs a ti
Como recentemente a lousa em Santa Maria Formosa.
Que eles querem de mim? Lentamente devo dissipar
A aparência de injustiça que às vezes dificulta um pouco
O puro movimento de seus espíritos.
Certo, é estranho não habitar mais terra,
Não mais praticar hábitos ainda mal adquiridos,
Às rosas e outras coisas especialmente cheias de promessas
Não dar sentido do futuro humano;
O que se era, entre mãos infinitamente cheias de medo
Não ser mais, e até o próprio nome
Deixar de lado como um brinquedo quebrado.
Estranho, não desejar mais os desejos. Estranho,
Ver tudo o que se encadeava esvoaçar solto
No espaço. E estar morto é penoso
E cheio de recuperações, até que lentamente se divise
Um pouco da eternidade. - Mas os vivos
Cometem todos o erro de muito profundamente distinguir.
Os anjos (dizem) não saberiam muitas vezes
Se caminham entre vivos ou mortos. A correnteza eterna
Arrebata através de ambos os reinos todas as idades
Sempre consigo e seu rumor as sobrepuja em ambos.
Finalmente não precisam mais de nós os que partiram cedo,
Perde-se docemente o hábito do que é terrestre, como o /seio materno
suavemente se deixa, ao crescer.Mas nós que de tão grandes
mistérios precisamos, para quem do luto tantas vezes
o abençoado progresso se origina - : poderíamos passar /sem eles?
É vã a lenda de que outrora, lamentando Linos,
A primeira música ousando atravessou o árido letargo,
Que então no sobressaltado espaço, do qual um quase /divino adolescente
escapou de súbito e para sempre, o vazio entrou
naquela vibração que agora nos arrebata e consola e ajuda?
Traduções do poeta paraense Paulo Plínio Abreu
publicadas no jornal "Folha do Norte" entre os anos
de 1946 e 1948, realizadas em parceria com o
antropólogo alemão Peter Paul Hilber
4 de abril de 2010
Considerações Arruinadas
Desmoronei o talude por onde fazes as tuas peregrinações para saberes que existo e sou poderoso...
A tua espera decerto te levaria a um estádio de alma um pouco mais resiliente e concreto...
Foi de mútuo acordo que derrubamos o que parecia de uma solidez inequivoca...
Pensamos de uma forma radical vendermos a alma...
Gostavamos do tempo em que canalizavamos as nossas expressões mais intimas em cartas comoventes...
Havia sempre uma justificação plausível para a tua ausência...
A vista do quintal gritava por socorro e do lado de lá da rua apenas o cheiro do jasmim e o chilreio dos melros...
22 de março de 2010
Cumpriu-se Portugal mais Limpo
Portugueses assim muitos. Um Portugal mais limpo cada vez com maior abrangência. Várias gerações meteram mãos à obra e encaminharam a trapalhada que imensa gente mal formada e mal intencionada fizeram de imensas zonas por todo o país. Desta vez não se varreu para debaixo do tapete. Bravo!
* fotos do site oficial e do Igor Duarte, meu colega, que participou na iniciativa.
* fotos do site oficial e do Igor Duarte, meu colega, que participou na iniciativa.
16 de março de 2010
Camping Portimão
Camping Portimão ** (at 4 km)
Estrada de Monchique
Malheiro 8500 Portimão
Tel. ++351 282-491012
-Open 1/1 - 31/12 - Beach at 7 km.
More information you can find at the site of: CAMPING PORTUGAL.
After Faro the second city of the Algarve. Portimão is more a commercial/industrial centre than touristic. Well-known because of its outstanding fish restaurants and shopping possibilities. The industrial centre specialises in boat building and the canning of tunny and sardines. The neighbouring seaside resort Praia da Rocha contains the town's famous beach.
Between 1930 and 1950 a group english writers and intellectuals settled in Praia da Rocha, since then the little town developed itself to one of the largest and most famous holiday resorts of Portugal.
The old bridge crossing the Arade river was built with iron left over from the Eiffel Tower (1900).
Cá está mais um mimo da maravilhosa cidade do mamarracho. As imagens (bota) não batem com a situação (acima) posta no mundo da internet (perdigota). A oferta portimonense agora é apenas o também exquisito parque da Dourada em Alvor. Talvez um dia quando o turistame começar a pagar taxa de presença dê para construir um 6 estrelas...
Esperemos sentados.
1 de março de 2010
O Delfim
«Sem memórias não existiria a escrita: o peso específico de que uma imagem ou uma frase necessitam para atingirem o leitor só pode advir da lembrança das coisas - não de ontem, mas de há muito tempo.»
«"Estás aqui estás a atirar-me com o Sócrates. Com o Xenofonte, quero eu dizer. Há uma data de dias que não falas no Xenofonte."
"Pior para ti, porque era de facto um grande caçador."
"Pois. E um grande escritor, ensinaram-me no liceu."
"Repórter de guerra", vou eu continuando.
"Militar..."
"Filósofo-guerreiro. Um valente, um grande, um etc. etc. filósofo guerreiro."
"Tu é que sabes. Tu é que és escritor. Positivamente."
"Obrigado. Em meu nome e em nome de Xenofonte..."
"...Que era um gozador dos antigos", completa Tomás Manuel.
"E Era. Escrevia sobre a vida com um prazer que nem podes imaginar."
"E sobre a morte."
"Já dissemos. Se era um repórter de guerra escrevia sobre a morte."
"Desculpa, tinha-me esquecido", torna o meu companheiro. "Política? Não escreveu também sobre política?"
"Claro. Sobre política, sobre educação dos príncipes..."» (p. 83 de O Delfim de José Cardoso Pires).
http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/letras/ensaio12.htm
«"Estás aqui estás a atirar-me com o Sócrates. Com o Xenofonte, quero eu dizer. Há uma data de dias que não falas no Xenofonte."
"Pior para ti, porque era de facto um grande caçador."
"Pois. E um grande escritor, ensinaram-me no liceu."
"Repórter de guerra", vou eu continuando.
"Militar..."
"Filósofo-guerreiro. Um valente, um grande, um etc. etc. filósofo guerreiro."
"Tu é que sabes. Tu é que és escritor. Positivamente."
"Obrigado. Em meu nome e em nome de Xenofonte..."
"...Que era um gozador dos antigos", completa Tomás Manuel.
"E Era. Escrevia sobre a vida com um prazer que nem podes imaginar."
"E sobre a morte."
"Já dissemos. Se era um repórter de guerra escrevia sobre a morte."
"Desculpa, tinha-me esquecido", torna o meu companheiro. "Política? Não escreveu também sobre política?"
"Claro. Sobre política, sobre educação dos príncipes..."» (p. 83 de O Delfim de José Cardoso Pires).
http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/letras/ensaio12.htm
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