18 de junho de 2010

Nem fumo nem fogo


Cá nesta Babilónia, donde mana

Matéria a quanto mal o mundo cria;
Cá, onde o puro Amor não tem valia,
Que a Mãe, que manda mais, tudo profana;
Cá, onde o mal se afina, o bem se dana,
E pode mais que a honra a tirania;
Cá, onde a errada e cega Monarquia
Cuida que um nome vão a Deus engana;
Cá, neste labirinto, onde a Nobreza,
O Valor e o Saber pedindo vão
Às portas da Cobiça e da Vileza;
Cá, neste escuro caos de confusão,
Cumprindo o curso estou da natureza.
Vê se me esquecerei de ti, Sião!

29 de maio de 2010

Disparates, dislates & panerigios

A culpa seria sempre pertença de Bin Laden, nemesis charneira da passagem do século, por isso Nemésio Bartolomeu Cidreira sempre que via uma dessas numerações dantescas intervinha nervoso.
Ruborizado pela evolução da robótica nacional um ser tão subtil como François Macadam de Oliveira não pactuaria com o estacionamento selvagem a que se dedicavam os seus conterrâneos semitas.
O improviso sempre fora a arma de arremesso emocional daquela raça tão mal amada que ocasionalmente pontuava a nação fragilíssima.
Ouvia-se o 40 graus à sombra com alguma insistência no rádio Onkyo de Possidónio Fagote enquanto marinava umas bifanas ao entardecer.
A desenvoltura psiquica de Svetelana Ghanza fazia dela uma perita em arquitectura pós moderna do sul. 2 livros editados e um vasto currículo em estudos sobre recantos e esconços nas cidades transformaram-na numa vedeta intencional acarinhada por uma fatia latente da sociedade: os desenfronhados.
Fernanda Capelo adorava sermões e homilias bem como exéquias e procissões. Aos Domingos abrigava-se interessada nas caleiras da velha matriz para se sentir útil e feliz. No entanto a sua cartilha era a seguinte:

Queixas-te porque não encontras nada a teu gosto?

São então sempre os teus velhos caprichos
Ouço-te praguejar, gritar e escarrar...
Estou esgotado, o meu coração despedaça-se.
Ouve, meu caro, decide-te livremente.
A engolir um sapinho bem gordinho,
De uma só vez e sem olhar.
É remédio soberano para a dispepsia.

Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"

22 de maio de 2010

Palavras soltas

Neste desastre descomunal marcam presença fantasmática as palavras sózinhas no seu deslaçado desespero.

18 de maio de 2010

Oh quimera


Abducção de senhoras em lamaçais bem frequentados


O caminho D. Camilo faz-se caminhando


Quintas envoltas em ricino para que nos possamos envenenar ou ficar mais inteligentes

Já não aturamos as andorinhas


Aplacado o estretor com ferros de uma obra toma conta de tudo a Primavera

O sétimo império sofrego vem ao cais contar histórias de tempos gloriosos


Bandeira de chapa corroida pela salmoura país distraído pela tonsura

Museu vivo sem sucessores destinado ao vil exercicio do poder

Nem as fábricas do Norte sustentam tanto desmazelo


7 de maio de 2010

Portimão Apocalipse Now

O centro da cidade definha a uma velocidade muito superior à sua tentativa de renovação. A população agora é maioritáriamente negra, uma espécie de Harleem sem Cotton Club, pessoal da construção, vendedores de marginal, gente das limpezas, outros mais obscuros. Mas tem para todos os gostos e credos, felizmente são pacíficos. Os cabeleireiros são as lojas do momento, só esta semana vi abrir duas. O resto das lojas quem vejo lá dentro é apenas o lojista com ar desesperado... Que tempos estes...

Indefensável delírio


Esta é Faro como podia ser outra qualquer cidade portuguesa apanhada a dormir ou antes do pequeno almoço assim na surra só para meter pirraça. Claro que a culpa é do fotógrafo e da máquina e da pressão atmosférica e da avalição em baixa do rating e do Sócras....