Pela sua inócua função de funcionário de uma agência de comunicações quase mudas mas recheada de muitas e divertidas ocasiões onde ele era um dos protagonistas sem escrúpulos, oportunista sem um tusto para sequer se entesoar, pedir encarecidamente ao cego para cantar, entoar a plenos pulmões as suas angústias. Nessa noite, qual ser espástico, ao ler um jornal cultural especial do seu inteiro agrado e fascínio pega nesta frase biblica enquanto ouve Adam Green no seu myspace. Oh modernidade oh esplendorosa e sempre humilde contemporaneidade dai-me os berlindes que na infância não tive. E pumba aqui estão eles a Sagres de muito sítio, a oeste de tantos lugares, a ocidente do antes, a caminho de um depois. Sim e depois... Sardónico e sincero com algum pudor lá postou algumas das tais fotozinhas que tinha conquistado esse mês. Não consegue facturar nada de especial em todas as cenas em que está metido. Um sarilho daqueles já com a corda toda meio comida e o tambor enferrujadito a chiar e tal. Pois! confessionário cabeça dentro do poço e ecooooo na cabeça vazia ou cheia conforme os desatinos. Escrever só serve para quem consegue fazê-lo com clareza e principios básicos de coerência, prazer e categoria bem como memória e desafiante precisão, rígido mas ténue o suficiente para não fazer feridas profundas, ser mental e prever as ressacas com imperfeições analipticas (acorda erro ortográfico chegou a tua vez). Precisas de teatro dentro de ti, fazer cut up com ambição barroca, iluminação bacoca e numa floresta lançar:
"Os teus mortos viverão, os seus corpos erguer-se-ão. Tu que vives no pó (húmus), ergue-te e clama bem alto a tua alegria. porque a tua seiva é como a seiva da madrugada e a terra dará à luz os espiritos que já partiram" Richard Zimmler/ Isaías/ avatar
Neste colossal nada de 15 minutos de esquecimento regurgitam desequilibrios horrificos para os padrões de um acólito de santuário caseiro, um holistico sem aura um expedito falhado, um fotógrafo borra botas a cada passo com o dedo no gatilho qual pistoleiro pungente na natureza catita do seu desastre. Ou não. Tudo é relativo disse uma senhora ao passar por ele naquela noite de maluqueira.
Tempo é dinheiro mas nem o tempo tem dinheiro nem o dinheiro tem tempo. Apitou o seu relógio biológico que acusava uma pequena depressão frontal. Toma lá para não te armares em exuberante.
http://www.myspace.com/owenpallettmusic
16 de janeiro de 2010
15 de janeiro de 2010
Starvingback
Uma espécie de zero feedback onde envoltos numa nuvem de informação, contactos, disponibilização de imagens, opiniões, nada acontece e se acontece não tem a mínima correspondência. Caiem as velhas casas aos nossos pés... e nós passamos incólumes?
12 de janeiro de 2010
A desolação brega de Wanderley
Era um rapaz honrado de familias humildes, bem formado pela vida dura que teve de passar mas a sua bonomia e temperança tinham feito dele uma pessoa boa, até que chegou à terra prometida, foi trabalhar para uma empresa religiosa pegou num maço de folhetos armagedónicos e tornou-se assistente a part-time de Jerónimo Cebola um inveterado evangelista de Marmelete. A coisa pintou por pouco tempo já que a fome começava a apertar...
Como tinha trejeitos de publicitário, era engraçado, espirituoso, sabia da sua língua que era afiada, dominava de certo modo o tratamento plástico e a manipulação imagética, foi bater à porta de uma conceituada agência que tinha parado no tempo a tentar a sua sorte. Como era devoto de S. José logo começou a carpintar, mas nem este santo maior o ajudou em plena crise existencial da D. Filomena Janota a qual deitou tudo a perder...
Foi assar sardinhas, mas mais uma vez a sorte lhe foi madrasta (coisa rara) e um temporal mandou o negócio para a sucata...
O que lhe valia era a sua carteira recheada de santinhos e a sua argúcia em escolhê-los de acordo com as circunstâncias, em poucas horas lá arranjou trabalho nos serviços de limpeza camarários (um outsourcing com resultados muito satisfatórios). O pior foi quando se enrolou com uma veterinária casada e aquilo foi um papelinho que até apareceu nos jornais e tudo...
Wanderley Caruso de Vasconcellos não desiste não meu irmão. Se o que foi não valeu vai trabalhar prá loja do pneu. Gracejou ele antes de arranjar emprego.
Mas o negócio também furou, a concorrência era muita, os recauchutados que o patrão agenciou não valiam um caracol e lá vai Wanderley buscando o pé de meia. Onde? Homéssa, no casino.
Era tempo de vacas magras e só empreiteiros bêbados e prostitutas baixo nível é que jogavam ao bingo às segundas-feiras e isso não dava para ter pessoal extra mesmo a preço de brasileiro topa-tudo, durou 2 semanas e rua...
Em tempos tão dificeis um tipo não pode ser esquisito e como tinha a sorte do seu lado foi consolar uma viúva enferrujada na parte oriental da cidade e viveu feliz quase sempre.
O amigo Zé Penedo encontrou-o na véspera de Natal e disse-lhe: Estou desolado Wanderley andas a dar muito nas vistas, as traseiras do apartamento estão todas enxamardeadas desde que te mudaste definitivamente para casa da viúva.
Não é nada disso seu Zé. A culpa é do caniche da Glórinha que não dá jeito vir passear à rua...
5 de janeiro de 2010
2010 anus bacannus
O ano novo vai ser... de fazer sair os olhos pelo anus...(mensagem de ano novo para todas as maravilhas que nos visitam).
2 de janeiro de 2010
As Falls Wichita
Alternava na noite acompanhada de uma pequena nausea não própriamente pelo senso comum de dar a velhos marinheiros bêbados momentos de extase e corrimentos seminais, não pela sua condição de mãe solteira vigiada de perto pelo Toninho da Pistola, sempre pronto a aprontá-las, mas pelo perigo constante de a esquina dessa noite lhe cair em cima sem lhe pedir licença. Medo era coisa que desconhecia mas encarava com dificuldade a ideia de fenecer, achava-se uma rosa com bastante vigor para levar esta vida no fio da navalha.
O que a mantinha com a alma quente eram passagens de livros onde a escrita a adornava de sensações:
«O que nas pessoas estranhas, desviadas por passo próprio ou enxotadas pelos outros, o fascinava era a absoluta liberdade individual com que faziam as suas escolhas. Num louco ou num pedinte que vagueava pelas ruas a pedir pão e sopa e que, de noite, tal qual os outros humanos, só queria dormir, Buchmann via quem poderia escolher em liberdade pura, e sem consequências, a sua moral individual. Moral que nem sequer tem um par, um elemento que a acompanhe. Quem iria contestar a «vida imoral» de um pedinte ou de um louco? Aqueles homens tinham já em si, pela sua diferença, uma carga de imoralidade universal e profunda, que os tornava imunes às pequenas imoralidades praticadas. Um louco, tal como um pedinte, não era imoral. Eram indivíduos sem cópia, semelhantes a um rei; alguém que não tem par, que não tem aquele que está ao seu lado. E por isso não há para esses homens escorraçados, como não há para o homem mais poderoso, qualquer critério de comparação. Buchmann olhava com admiração para aqueles homens que traziam no bolso um sistema jurídico único, com o seu nome no fim. De certa maneira, era isso que Buchmann desejava; ser portador de um sistema legal cujas leis só fossem aplicadas a si; ser portador de uma moral que não é a do mundo civilizado nem a do mundo primitivo; que não é a moral da cidade ou sequer a moral da sua família mas a moral que tem o seu nome, apenas o seu, escrito por cima. »
O que a mantinha com a alma quente eram passagens de livros onde a escrita a adornava de sensações:
«O que nas pessoas estranhas, desviadas por passo próprio ou enxotadas pelos outros, o fascinava era a absoluta liberdade individual com que faziam as suas escolhas. Num louco ou num pedinte que vagueava pelas ruas a pedir pão e sopa e que, de noite, tal qual os outros humanos, só queria dormir, Buchmann via quem poderia escolher em liberdade pura, e sem consequências, a sua moral individual. Moral que nem sequer tem um par, um elemento que a acompanhe. Quem iria contestar a «vida imoral» de um pedinte ou de um louco? Aqueles homens tinham já em si, pela sua diferença, uma carga de imoralidade universal e profunda, que os tornava imunes às pequenas imoralidades praticadas. Um louco, tal como um pedinte, não era imoral. Eram indivíduos sem cópia, semelhantes a um rei; alguém que não tem par, que não tem aquele que está ao seu lado. E por isso não há para esses homens escorraçados, como não há para o homem mais poderoso, qualquer critério de comparação. Buchmann olhava com admiração para aqueles homens que traziam no bolso um sistema jurídico único, com o seu nome no fim. De certa maneira, era isso que Buchmann desejava; ser portador de um sistema legal cujas leis só fossem aplicadas a si; ser portador de uma moral que não é a do mundo civilizado nem a do mundo primitivo; que não é a moral da cidade ou sequer a moral da sua família mas a moral que tem o seu nome, apenas o seu, escrito por cima. »
30 de dezembro de 2009
Rumi resgatado
Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que todos somos um,
falemos desse outro modo.
Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma
Fechemos pois a boca e conversemos através da alma
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.
Vem, se te interessas, posso mostrar-te.
Já que todos somos um,
falemos desse outro modo.
Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma
Fechemos pois a boca e conversemos através da alma
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.
Vem, se te interessas, posso mostrar-te.
28 de dezembro de 2009
Macacões de luz
Havia um oráculo que sabia das coisas escondidas, inconcretas, escorregadias, poluídas
Na sua casa fechada a cadeados siderantes toda a informação era nada toda a areia eram foguetes de matéria para se poderem engolir os sapos e mastigar os assassinios
As manobras das nações traiçoeiras tolhiam-lhe os movimentos mas o seu xamanismo poderoso empurrava para a luz as coisas criminosas. Ele acreditava na sua missão divina.
Acoitava-se na residencial perto da policia maritima e abrilhantado pelo wifi da zona zurzia categórico nas carnes podres dos corruptos o seu blog vingativo.
As redes da velha Albion eram de algum modo ténues e isso concedia-lhe um certo alivio.
http://gazetadigitalmisteriodaluz.blogspot.com/2008/07/quem-se-responsabiliza-pelo-caso-maddie.html
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